Água e Saúde Pública em Moçambique: Um Desafio Urgente para o Desenvolvimento

A relação entre acesso à água segura e saúde pública em Moçambique continua a representar um dos maiores desafios sociais e sanitários do país. O acesso limitado à água potável e ao saneamento básico é um fator determinante para a propagação de doenças como diarreia, cólera, malária e outras enfermidades de origem hídrica, que afetam especialmente crianças e populações em situação de vulnerabilidade.

Embora existam esforços e programas governamentais e de organizações internacionais para melhorar o abastecimento de água e as infraestruturas sanitárias, a falta de cobertura, manutenção deficiente das redes públicas e a má qualidade da água distribuída em algumas zonas continuam a impactar negativamente a saúde das comunidades.Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças de origem hídrica resultantes de água contaminada, práticas de higiene inadequadas e saneamento deficiente continuam a ser responsáveis por um elevado número de mortes evitáveis. Apenas as doenças diarreias são responsáveis por cerca de 760 mil mortes de crianças menores de cinco anos todos os anos, principalmente em países em desenvolvimento. A OMS destaca que o acesso a água potável, saneamento adequado e higiene são determinantes fundamentais da saúde.

Em Moçambique, surtos recorrentes de cólera são um exemplo preocupante dessa realidade. A UNICEF alerta que cerca de 47% da população moçambicana ainda não tem acesso a um serviço básico de água potável, e apenas 38% dispõe de saneamento básico melhorado. Estes números tornam o país vulnerável a surtos epidémicos, especialmente em períodos de chuvas e inundações, quando a contaminação da água se agrava.